Fluxo Sem Tabu amplia debate sobre pobreza menstrual no Brasil
- Emily Rodrigues Santana
- 28 de mai.
- 4 min de leitura
Em alusão ao Dia Internacional da Higiene Menstrual (28 de maio) e ao Mês da Saúde da Mulher, a ONG mobiliza parceiros, creators, o Ministério da Saúde e marcas de alcance nacional em uma das maiores mobilizações digitais e urbanas já realizadas sobre saúde menstrual no Brasil.
Todo mês, cerca de 35 milhões de brasileiras menstruam. Mas falar sobre isso ainda é, para muitas delas, um ato de coragem. A pobreza menstrual, a desinformação e o silêncio que cerca o tema custam caro, em saúde, em autoestima, em oportunidades. Custam dias de escola perdidos, empregos comprometidos, decisões médicas adiadas. Custam dignidade.
É para romper esse silêncio que a ONG Fluxo Sem Tabu nasce, cresce e se mantém em movimento. E é com esse propósito que, neste mês de maio, a organização lança sua maior campanha de conscientização: uma mobilização que vai além das plataformas digitais, painéis de rua, espaços públicos e canais institucionais para afirmar, sem hesitação: menstruação é saúde. E saúde é direito.

Já são mais de 15 milhões de pessoas alcançadas com informação qualificada sobre saúde menstrual, e esse número é apenas o ponto de partida de uma meta maior: impactar 50 milhões de brasileiros com acesso à informação sobre menstruação até 2030.
Arte como linguagem política: as projeções de Catharina Suleiman
Menstruação também é território da arte. Dentro da campanha, a Fluxo Sem Tabu firma parceria com a artista visual Catharina Suleiman e com o projeto: Projetemos para levar projeções artísticas às fachadas de São Paulo. A iniciativa transforma o espaço urbano em suporte para uma mensagem que é, ao mesmo tempo, política, estética e objetiva e que chega a quem jamais teria clicado em um post educativo.

A endometriose afeta cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a 10% dessa população, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que 7 milhões de brasileiras convivem com a doença, muitas delas sem diagnóstico, porque a normalização da dor menstrual ainda impede que os sintomas sejam levados a sério. O silêncio em torno da menstruação não é apenas cultural: ele adoece.
Uma campanha que não pede licença para existir nos espaços públicos
A campanha O Fluxo Que Nos Une que a Fluxo Sem Tabu lança neste Dia Internacional da Higiene Menstrual não acontece apenas no meio digital, a organização entende a importância de ampliar e alcançar a todos. Ela está nas ruas. Está nos aeroportos. Está nas paredes das cidades. Está em cada conversa que um post, um painel ou uma projeção é capaz de provocar.
A veiculação da campanha se inicia a partir de 28 de maio, e tem um objetivo claro: romper a invisibilidade em torno da menstruação, enfrentando de frente o silenciamento, o constrangimento e a pobreza menstrual que afetam milhões de pessoas no Brasil. "É uma campanha concebida para ser vista, sentida e compartilhada, e para fazer com que a pauta menstrual deixe de ser um assunto de bastidor e ocupe, de vez, o centro do debate público. Por isso é feita com muitos parceiros", explica Luana Escamilla, Fundadora e Diretora da ONG Fluxo Sem Tabu.
A estratégia é multiplataforma e construída para escalar:
Campanha digital com conteúdos educativos sobre dignidade menstrual, acesso a direitos e uso correto da Lei do Absorvente, distribuídos nas principais plataformas do país;
OOH em 8 cidades brasileiras em parceria com a JCDecaux, líder global em out-of-home: São Paulo, Aeroporto de Brasília, Campinas, Belém, Fortaleza, São Luís, Aracaju e Natal. Cidades que, juntas, concentram milhões de brasileiras que merecem ver sua pauta refletida nos espaços que habitam;
Projeções urbanas em São Paulo em parceria com o projeto: Projetemos e com a artista multidisciplinar Catharina Suleiman, ocupando fachadas da cidade com arte, cor e mensagem que confrontam o silêncio;
Parceria com o Ministério da Saúde para ampliar o alcance das informações sobre a lei de distribuição gratuita de absorventes, com participação das influenciadoras do canal Nunca Vi 1 Cientista, referência em comunicação científica acessível;
Creators e influenciadoras de grande alcance amplificando o debate nas redes, entre elas Angélica, Giulia Costa, Sabrina Sato e Sofia Oliveira, cada uma contribuindo com sua voz para que a conversa sobre menstruação chegue onde ainda não chegou.

Sobre a Fluxo Sem Tabu
A Fluxo Sem Tabu é uma organização que atua no combate à pobreza menstrual e na promoção da dignidade menstrual por meio de ações educativas, banheiros dignos e articulação com poder público, empresas e sociedade civil.



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