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Evasão escolar: o papel da estrutura na permanência

  • Foto do escritor: Emily Rodrigues Santana
    Emily Rodrigues Santana
  • 15 de jun.
  • 3 min de leitura
Placa de identificação com a inscrição "Banheiro Feminino" e ilustrações lúdicas e diversas de rostos infantis. A humanização dos espaços escolares por meio do design afetivo ajuda a garantir banheiros seguros e bem estruturados é um dos pilares físicos para que os alunos permaneçam na escola com dignidade.
Placa de identificação com a inscrição "Banheiro Feminino" e ilustrações lúdicas e diversas de rostos infantis. A humanização dos espaços escolares por meio do design afetivo ajuda a garantir banheiros seguros e bem estruturados é um dos pilares físicos para que os alunos permaneçam na escola com dignidade.

Quando falamos sobre evasão escolar, é comum que o debate se concentre em fatores como renda, necessidade de trabalhar ou dificuldades de aprendizagem. Existe, porém, uma dimensão silenciosa e, muitas vezes, invisibilizada que impacta a permanência de estudantes nas escolas: a falta de estrutura básica.


Nesse cenário, a pobreza menstrual surge como um fator determinante. Para quem menstrua, a experiência escolar pode ser atravessada por desafios que vão muito além do conteúdo em sala de aula. Dor, desconforto e insegurança passam a fazer parte da rotina, interferindo diretamente na capacidade de concentração e participação. 


No dia a dia, esses fatores vão se somando, criando barreiras que muitas vezes começam pequenas, mas crescem até afastar estudantes da escola. Veja como esses impactos se desdobram na rotina escolar.


Dor e desconforto comprometem a concentração

Cólicas intensas, fluxo abundante e o medo constante de vazamentos afetam o foco e o desempenho. Em um ambiente que não acolhe essas questões, o aprendizado deixa de ser prioridade, não por falta de interesse, mas por falta de condições.


Vergonha e medo de exposição limitam a participação

O receio de manchas na roupa, odores ou julgamentos faz com que muitas estudantes evitem interações, apresentações e até mesmo pedir ajuda. A escola, que deveria ser um espaço de troca, passa a ser um ambiente de tensão.


Falta de banheiros adequados agrava o problema

A ausência de banheiros em boas condições é um dos principais pontos críticos. De acordo com relatório do UNICEF e do UNFPA, cerca de 321 mil alunas brasileiras estudam em escolas que não possuem banheiro em condições de uso. Desse total, 37,8% estão concentradas no Nordeste.


Espaços sem portas, sem trancas, sem limpeza ou sem acesso regular tornam a vivência escolar ainda mais desafiadora. 


Um grupo de crianças observa atentamente as mudanças no banheiro realizada pela ONG Fluxo Sem Tabu, que trouxe um cartaz lúdico e informativo sobre higiene menstrual.
Um grupo de crianças observa atentamente as mudanças no banheiro realizada pela ONG Fluxo Sem Tabu, que trouxe um cartaz lúdico e informativo sobre higiene menstrual.

Ausência de itens básicos de higiene gera vulnerabilidade

Ainda de acordo com o relatório do UNICEF e do UNFPA, mais de 4 milhões de meninas, o equivalente a 38,1% das estudantes, frequentam escolas com a privação de pelo menos um requisito básico de higiene.


A falta de papel higiênico, sabonete e absorventes coloca estudantes em situações de improviso e risco. Sem acesso à dignidade menstrual, muitas optam por faltar às aulas como forma de lidar com a situação.


Falta de privacidade reforça o constrangimento

Ambientes que não garantem segurança e discrição ampliam o desconforto e o medo de exposição. Isso contribui para o afastamento progressivo do espaço escolar.

Ausências recorrentes levam à evasão escolar

A evasão, nesse contexto, não acontece de forma repentina. Ela é construída aos poucos, a partir de faltas frequentes e da desconexão gradual com o ambiente escolar.

Permanecer também é sobre dignidade

Combater a evasão escolar exige uma abordagem ampla, que considere não apenas fatores econômicos e pedagógicos, mas também as condições concretas de permanência.

Nesse cenário, falar sobre menstruação, dignidade menstrual e estrutura básica de higiene é fundamental. Afinal, não basta garantir o acesso à educação, é preciso assegurar que ele seja contínuo e possível na prática.

Um compromisso coletivo que vai além do ambiente escolar

Garantir dignidade menstrual é também garantir que mulheres e meninas se sintam incluídas, seguras e acolhidas em todos os espaços que ocupam.


Por isso, iniciativas como o Banheiro Fluxo, da ONG Fluxo Sem Tabu, são fundamentais nesse processo. A ação transforma banheiros femininos em espaços mais acolhedores e preparados, especialmente em locais de grande circulação.


Com a disponibilização de absorventes gratuitos, itens de higiene menstrual e materiais educativos, o projeto promove mais conforto, segurança e dignidade no dia a dia. Ao ampliar o acesso a condições básicas de higiene, ações como essa contribuem para construir ambientes mais justos, onde ninguém precise abrir mão da sua rotina por falta de estrutura.


Mobilização e combate à pobreza menstrual fora dos muros da escola. Quando a estrutura pública falha em fornecer o básico, redes de apoio se tornam essenciais para garantir que estudantes em situação de vulnerabilidade não abandonem as salas de aula.
Mobilização e combate à pobreza menstrual fora dos muros da escola. Quando a estrutura pública falha em fornecer o básico, redes de apoio se tornam essenciais para garantir que estudantes em situação de vulnerabilidade não abandonem as salas de aula.

Você também pode fazer parte dessa transformação. Ao apoiar o trabalho da ONG Fluxo Sem Tabu, você contribui para ampliar o acesso à dignidade menstrual e gerar impacto real na vida de milhares de pessoas.



 
 
 

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