Absorvendo o assunto

Pobreza menstrual

Você já imaginou não ter água, papel higiênico ou protetores menstruais durante seu ciclo?

Essa é a realidade de inúmeras pessoas em situação de vulnerabilidade que acabam recorrendo a métodos inseguros para conter o próprio sangue, como folhas de jornais, pedaços de pano, folhas de árvores e até mesmo miolo de pão.

Uma pesquisa de 2018 da marca de absorventes Sempre Livre apontou que 22% das meninas de 12 a 14 anos no Brasil não têm acesso a produtos higiênicos adequados durante o período menstrual. A porcentagem sobe para 26% entre as adolescentes de 15 a 17 anos.

Quanto custa menstruar?

São cerca de 450 ciclos menstruais durante a vida e utiliza-se, em média, 20 absorventes por ciclo. Considerando estes números, estima-se que sejam usados 10.000 absorventes durante toda a idade fértil. Se considerarmos um custo médio de R$ 0,60 por absorvente, chegamos ao valor de:

R$ 6.000,00

Sim! Menstruação ainda é tabu

Uma pesquisa realizada com 1,5 mil mulheres de cinco países, pela marca de absorventes Sempre Livre, em parceria com a Kyra Pesquisa & Consultoria, revelou que no Brasil, 66% das mulheres se sentem desconfortáveis ao falar sobre menstruação e 57% se sentem sujas. 

 

Entretanto,  não nascemos com esse estigma e sim fomos ensinadas que a menstruação é suja e que ela pertence ao grupo de coisas que falamos baixinho, que as mães explicam para suas filhas mas não para seus filhos. Isso quando ela é explicada, muitas meninas quando menstruam pela primeira vez não tem acesso a nenhum tipo de informação de como lidar de uma forma natural e sadia. 

 

Menstruação não pode ser um assunto só discutido atrás de portas fechadas, é preciso normalizá-la e encará-la como um fato universal. Para isso, colocar em debate essas questões é de suma importância para caminharmos a uma sociedade livre de tabus.

Mas por que ninguém fala sobre isso?

 

Mais desigualdade?

 

Em média uma estudante brasileira perde até 45 dias de aula devido ao sangue menstrual, prejudicando seu desempenho escolar. Os motivos vão desde o precário acesso aos absorventes, que não são considerados produtos de higiene básica, até a falta de saneamento nas escolas do país. Segundo a ONG Trata Brasil, 1,6 milhões de pessoas não tem banheiro em casa, 15 milhões não recebem água tratada e 26,9 milhões moram em lugares sem esgoto. 

Com a educação afetada, a desigualdade entre homens e mulheres se agrava, já que as chances dessas estudantes se inserirem no mercado de trabalho e quebrarem o ciclo da pobreza diminuem ainda mais. 

 

 

FLUXO SEM TABU

Um projeto sem fins lucrativos que luta pela democratização do conhecimento sobre a menstruação e fornece absorventes para as camadas vulneráveis da sociedade.

Email: fluxosemtabu@gmail.com

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